O esgoto limpo das casinhas

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Aos 30 anos, em 1988, o agrônomo Ralf Wagner gostou de que ouviu de um de seus mestres na universidade de Frankfurt sobre o Brasil e atravessou o Atlântico trazendo consigo os conceitos da moderna agroecologia, movimento que fervilhava na Europa.

Foi direto para Panambi, onde se juntou a José Lutzemberger na recém-criada Fundação Gaia, e partiram para colocar em prática os ideais de preservação ambiental, agricultura sustentável e orgânica defendidos pelo mais importante ambientalista do Brasil e um dos mais respeitados do mundo.

Entre seus muitos feitos, está o de levarem para os pequenos agricultores dos municípios Feliz e Bom Princípio, também no Rio Grade do Sul, a cultura do morango orgânico. Pesquisaram, desenvolveram e colocaram em prática usinas de lixo em diversas comunidades do Brasil. Criaram conceitos, publicaram cartilhas e escreveram livros que são parâmetros para a convivência harmoniosa entre a produção de alimentos e a preservação do meio ambiente.

As pesquisas sobre a destinação correta de resíduos acenderam em Ralf o interesse pelo tratamento dos esgotos.

Desligou-se da Fundação Gaia na metade dos anos de 1990 e foi certificar a produção de café orgânico em cooperativas indígenas na Guatemala e no México. De volta ao Brasil, radicou-se em Florianópolis com a certeza que seu futuro estava em entender e encontrar soluções para um dos mais graves problemas do planeta, que é o destino a ser dado às águas depois do seu uso pelo homem e a consequente preservação de mananciais.

Desenvolveu o sistema que chamou de Rhizoteck, que filtra a água usada com raízes e carvão ativado, deixando-a novamente em condições de uso sem a aplicação de qualquer produto químico durante todo o processo.

Suas estações estão espalhadas pelo Brasil e são exportadas, inclusive, para países europeus, da África e para a China. Agora seu foco está em eliminar resíduos hospitalares e de medicamentos presente na água descartada, que é sempre devolvida para a Terra.

Esta semana Ralf esteve em Pedras Rollantes para orientar a instalação da estação de tratamento de esgotos que vai eliminar quase que totalmente as impurezas da água depois de serem usadas pelos que vão usufruir das casinhas de hospedagens, pelo Café no Sítio e pela casa onde moramos.

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A estação trazida e instalada pelo Ralf é capaz de processar quase 3 mil litros de água constantemente, antes de devolve-la à natureza livre de contaminantes.  Assim como quase tudo que está sendo utilizado na construção das casinhas, a estação não é uma peça nova. Ela é proveniente da sede oceânica do Iate Clube de Santa Catarina, em Jurerê, na capital, que foi desativada por imposição da Casan, depois que a estatal, que diz cuidar da água em Santa Catarina, obrigou o clube a ligar seus esgotos à rede que implantou na região.

Nossa água, depois de filtrada, será usada em um pequeno tanque com peixes e descartada em uma vala de irrigação.  Como não usamos qualquer tipo de defensivo ou adubo químico em nossas plantações, ela será incorporada ao leito do Rio das Águas Frias com pureza maior do que a do próprio rio.

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