Altos retratos

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Uma das mais notáveis mudanças de hábitos provocada pela revolução digital em curso na humanidade é aquela verificada na fotografia.

O custo dos equipamentos, tanto para os profissionais como para os amadores, era um fator que limitava a sua popularização. As pesquisas para eliminar os filmes fotográficos, as máquinas com regulagens complicadas e para acabar com os custos das cópias é antiga, já tem bem de meio século, mas só chegou ao estágio atual com a miniaturização dos chips e dos sistemas óticos.

Hoje todos têm uma câmera a sua disposição e mais uma profecia da ficção científica se torna algo tão comum que normalmente nem nos damos conta do quanto ela muda a nossa vida. A sociedade que até então era regida pelas palavras agora é visual.

E como é bom assistir isto acontecer diante de nossos olhos. Não dá para negar a vaidade de ver que aquela bandeja com as entradas servidas no café é primeiro registrada pelas lentes e só depois de um rito, que ainda inclui algumas palavras de admiração, é que vai servir ao seu propósito inicial, que o de alimentar e levar prazer ao paladar.

É lindo ver que uma das primeiras ações de quem se depara com a paisagem do vale do Rio das Águas Frias, descortinada a partir do deck onde é servido o Café, é o ato de sacar a câmera, na maioria das vezes acoplada ao telefone celular, e começar a fotografar.

E a vaidade chega ao extremo quando aqueles que fazem da arte fotográfica um de seus meios de expressão, aparecem por aqui para passar um dia inteiro apontando suas lentes para pedaços do nosso mundinho._00_mg_2725

Foi que fizeram os fotógrafos do Grupo F8, confraria que congrega fotógrafos amadores e profissionais que já há mais de três década se reúne regularmente para discutir fotografia e realizar expedições fotográficas.

Remanescentes de uma das últimas turmas a tocar o Núcleo de Fotografia de Florianópolis, berço de importantes profissionais e dedicados amadores que movimentaram o cenário cultural da capital catarinense do final da década de 1970 até a metade dos anos de 1980, seis fotógrafos do F8 chegaram aqui confortavelmente acomodados em um trailer que foi estacionado entre pitangueiras e goiabeiras na margem do Águas Frias. Dali partiram para explorar cada pedacinho do sítio e capturar formas, ângulos, temas, luzes, contrastes e flagrantes que apenas olhos e sentidos treinados conseguem perceber.

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Norton José, um dos mais experientes e requisitados fotógrafos de eventos sociais de Santa Catarina, aproveita os encontros e as excursões com os amigos para limpar o olhar. “ Meu trabalho requer muita atenção, é muito exigente. As saídas com o F8, onde posso praticar uma fotografia totalmente livre, é mais eficiente que o melhor dos colírios.

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Fotografia livre, mas usando a delicada técnica do infravermelho, é a dedicação de Antônio Leão, administrador de empresas aposentado que encontrou aqui um cenário perfeito, repleto dos tons de verde que propiciam imagens inusitadas com contrastes inesperados quando revelados pelos tons que não conseguimos perceber a olho nu.

Entre os seis “retratistas” que exploraram Pedras Rollantes estava Arnolf Cost, ex-reitor da Universidade de Berlim, que aproveita a suas regulares viagens ao Brasil para ministrar uma disciplina sobe campos magnéticos e sua aplicação na indústria, na pós-graduação da FUFB, em Blumenau, para participar das saídas fotográficas com seus amigos fotógrafos. Arnolf tem na natureza brasileira um dos temas preferidos em suas andanças fotográficas mundo afora.

_00_mg_2722Mário Bianchinni é um visitante contumaz de Pedras Rollantes e foi ele quem sugeriu o Sitio como destino para a saída de outubro. O administrador Mário é um daqueles fotógrafos amadores avançados que circulam por todas as possibilidades permitidas por quem faz um bom uso da câmera e nunca deixa de dar um sentido filosófico às suas obras. Além de ter feito parte do Núcleo e de ser um dos criadores do F8, é um dos assíduos “penduradores” de fotos no Varal da Trajano, exposição de rua na Capital e fez parte do Sete Nós, grupo de fotografia experimental que bagunçou Florianópolis nas noites de aberturas de suas exposições.

O sexteto foi completado por Sidney Kair, videomaker, e Henrique Azevedo. Os dois são donos do Photografika Escritório de Arte, espaço expositivo e molduraria junto a Avenida Beira Mar, em Florianópolis.

Henrique também é o dono do trailer que trouxe o F8 até aqui e que encontrou na margem do Águas Frias um local ímpar para estacionar sua casa sobre rodas. Tendo como trilha sonora o som das águas descendo os degraus formado pelo leito de pedras e como pano de fundo o verde da mata ciliar, abriam garrafas de vinho e assaram carne enquanto exploravam as redondezas. Depois do festim, atravessaram a ponte pênsil e partiram para os pomares da margem direita, visitaram a Casa Enxaimel e exploraram as possibilidades fotográficas oferecias pelo eucaliptal e pelo rio que corta Pedras Rollantes.

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Foto Nórton José (feita com celular)

Fartos de clicar por ali, levantaram acampamento e subiram para o café que foi servido entre cliques e conversas em torno de fotografias e do prazer à mesa.A maioria das fotos desta postagem foram feitas por mim, Tarcísio Mattos, que também sou fotógrafo, mas não faço parte da confraria. Junto com a Lu Eicke, somos apenas os anfitriões.

Logo logo publicaremos galerias com os retratos que Mário, Norton, Henrique, Sidney, Antônio e Arnolf tiraram por aqui._00_sid4023